De estagiária a diretora: exemplo de inspiração e protagonismo feminino


No mês dedicado à mulher, especialmente com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, que será neste domingo, 8, destacamos a figura de Angela Lins, integrante da Agreste Saneamento. Ela defende que apenas 38% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres

Na contramão dessas estatísticas, a trajetória de Angela Lins é um exemplo de inspiração e protagonismo feminino. Ela começou como estagiária e, atualmente, lidera um time de profissionais como diretora administrativa da Agreste Saneamento, uma das empresas do Grupo Iguá.

Angela tem 40 anos e é formada em Administração. Veio de uma família humilde do interior de Pernambuco, mais precisamente do município de Paulista. Sua trajetória de conquistas, revela a verdadeira paixão pelo que faz. Na avaliação dela, apesar das estatísticas refletirem um cenário desigual, tem havido uma evolução e as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaços.

“Infelizmente no Brasil ainda temos preconceitos com o posicionamento feminino e diferenças salariais, mas entendo que essa curva está declinando a cada ano e acredito na evolução significativa. Ocupar cargos importantes na companhia e representar a evolução do posicionamento feminino me traz orgulho e paixão pelo que faço cada dia mais”, conta entusiasmada.

Em um país onde mulheres ganham 79% do salário dos homens, o principal desafio a ser superado no mercado de trabalho, para Angela Lins, “é a valorização da ‘profissional’ e não do ‘gênero’, em que a mulher possa ter salários compatíveis com sua capacidade profissional, seja em cargos estratégicos ou táticos”, enfatiza.

Trajetória

A trajetória profissional de Angela Lins começou em 1998, como estagiária no Departamento Pessoal de uma empresa de transporte coletivo em Olinda (PE). No ano seguinte, já havia sido efetivada e assumiu novas responsabilidades.

Nos anos seguintes, a ascensão continuou, inclusive alcançando áreas em que a própria profissional avalia como “quebra de paradigmas”. “Com a venda da empresa de transportes em 2006, fui transferida para uma empresa de Engenharia, passando a atuar no ramo de construção pesada, como encarregada administrativa de obra”.

Trabalhou em sete obras, incluindo dois consórcios, sendo um deles com cerca de 1.600 colaboradores diretos e indiretos. “Em 2012 fui convidada a participar do projeto da Parceria Público-Privada (PPP AL), inicialmente como coordenadora financeira e, em dois, anos assumi a gerência administrativa/financeira”.

A primeira quebra de paradigmas ocorreu em 2006, quando foi convidada a trabalhar em um canteiro de obra, sendo a primeira mulher no grupo a atuar na função. “No começo foi bastante complicado, mas o que diferencia você é sua capacidade de se adaptar e aos poucos fui ganhando espaço e, principalmente, respeito”, pontua.

Desde o ano passado, ela ocupa um cargo de direção na Agreste Saneamento, em Arapiraca. “Em fevereiro de 2019 a PPP AL passou por uma reengenharia e fui convidada pela Iguá para assumir a diretoria administrativo-financeira”, acrescenta.

Na avaliação dela, a presença feminina na Agreste Saneamento é baseada na valorização da mulher, independente dos espaços ou áreas em que atua.

“Em regra geral, a mulher tem uma sensibilidade maior, o que gera empatia entre as pessoas. Costuma ser mais organizada e consegue lidar com várias tarefas ao mesmo tempo [risos]. Em todos os pontos de nossa operação temos mulheres ocupando seu espaço, seja como leiturista, supervisora operacional, assistente de manutenção, operadora de tratamento, equipe de apoio e diretoria”, garante.

Desafios

Nos “bastidores” das grandes conquistas de Angela, muito antes do sucesso nas corporações, veio o trabalho, ainda muito cedo.

“Sou de uma família humilde e com nove anos comecei a me virar. Vendia mel nas lojas do Shopping Recife, depois disso não parei, vendia bijuterias e roupas na escola. Depois, ajudei meu tio em uma empresa de esquadrias de alumínio, tirando pedidos, apoiando nos processos do departamento pessoal e financeiro”, recorda.

Aos seis anos de idade, ela conta, sofreu um acidente de carro que deixou diversas cicatrizes e algumas complicações, pois precisou se submeter a várias cirurgias plásticas. Contudo, sempre manteve o sonho dar o melhor para sua família, por isso sempre focou nos estudos.

“Minha inspiração de vida até hoje é minha mãe, que mesmo diante de tanta dificuldade, nos mostrava que só com uma formação poderíamos sonhar alto, e com muita dignidade e disposição para o trabalho nos criou. Essa é minha maior força enquanto ser humano”, destaca orgulhosa.