Psicólogo Marcello Melo traça dica de como conviver nesse período de coronavirus


COVID-19, MUDANÇA DE MINDSET

É certo que a atual situação está levando as pessoas e instituições à mudanças comportamentais importantes em função do medo do contágio do COVID-19 e as reações mais comuns estão sendo:

Defesa : autoproteção pessoal, familiar (fazer estoque excessivo de alimentos, medicamentos, equipamentos de proteção individual e etc.). Essa atitude prejudica ou compromete pessoas que precisam desses insumos. Países fechando as suas fronteiras, decisões políticas e econômicas unilaterais.

Paralisação : Quarentena populacional e de instituições públicas e privadas. Sim, situações extremas exigem medidas extremas para o bem comum! Apenas vale lembrar que essa situação é passageira! Tal medida faz-se necessária para reduzir a velocidade de contágio que pode ceifar a vida (bem maior) de milhares de pessoas, no entanto, compromete a subsistência de grande parte da população, da economia do país e etc.

Esses comportamentos de defesa e paralisação não são novidade no saber psicológico, apesar da quarentena global ser.

No entanto existe um outro comportamento que se faz necessário nesse momento de crise e precisamos amadurecer para isso, o ENFRENTAMENTO !

Muitos desafios estão se apresentando e sendo aos poucos superados, basta querer ver com bons olhos. São eles:
• Individualmente, formas de evitar o contágio;
• Pesquisa, farmacológia;
• Economia, relação entre governo e instituições financeiras, reforma tributária, COMEX, programas sociais, entre outros.

Além desses, a COVID-19, evidencia para mundo a necessidade de mudar a forma como deveremos fazer GESTÃO em sentido amplo. Temos que sair do Mindset individual para o coletivo, pois, estamos sendo impulsionados a mudar a forma como estamos nos relacionando com tudo e todos.

Marcello; Pela primeira vez na história da Civilização, estamos aprendendo, a duras penas, que precisamos fazer uma gestão coletiva e global

Pela primeira vez na história da Civilização, estamos aprendendo, a duras penas, que precisamos fazer uma gestão coletiva e global.

Cidadãos, empresas, condomínios, igrejas, escolas e governo, estão se reinventando para exercerem as suas funções sociais.

Olhar e incluir o próximo, deixou de ser uma boa ação para os mais necessitados em momentos de catástrofes naturais, mas uma solução, ainda que parcial, para contribuir para a manutenção da sobrevivência política e econômica e em nossa situação atual com a redução do colapso do sistema sanitário público e privado.

Alguns poucos gestores públicos e políticos estão dando exemplo reduzindo os seus próprios vencimentos e de seus gabinetes para administrar melhor às o sustento e a vida da população. Esse é o exemplo que deve ser multiplicado e não retaliado, impedido ou ameaçado pelas instâncias políticas superiores que tendem a reagir negativamente a esse pleito em benefício próprio e dos seus.

Sim! Ainda existe MUITO à se fazer, à melhorar, a briga está apenas começando, mas devemos nos lembrar que para melhorar devemos lutar e estamos caminhando para isso.

Uma das coisas que não posso deixar de mencionar, alertar e cobrar da população carente, é a sua responsabilidade em não se aglomerar ao receber as doações. A doação que você recebe não é de graça e está sendo feita em prol do bem comum. O Estado tem a obrigação em organizar a aglomeração de pessoas para o recebimento das doações. Pode ser com distribuição de senhas, de cadastro de endereços, com horário e dias da semana marcados entre outras possibilidades como a participação da Polícia Militar e das forças armadas. Se isso não for feito, estaremos nadando contra a correnteza e todo esforço para preservar o Sistema de Saúde, poderá ser quase que em vão.

Precisamos aceitar que precisamos mudar a forma como fazemos gestão para a sobrevivência. Chegou a hora de entender que o conceito de gestão sistêmica (o resultado de um grupo social afeta a sociedade como um todo) deve vigorar. Não devemos ser resistentes e correr o risco de nada aprender e ficar pensando que quando “tudo voltar ao normal” voltaremos a gerir as coisas da mesma forma, simplesmente porque o “normal” que estamos vivendo está evidenciando que não é bom.

Com gratidão à sua atenção, espero que essa leitura possa incentivar você a cuidar melhor de sí e do outro, independentemente do nível social ao qual você pertença, bem como o seu alcance.

Marcello Melo Vasconcelos
Psicólogo Clínico e Organizacional
CRP:15/3404