EFEITOS DA PANDEMIA – Endividamento das famílias chega a 66,6% em abril


CNC ressalta necessidade de prazos mais longos para pagamentos

Foto: Marcello Casal Jr

O porcentual de famílias com dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 66,6% em abril, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nesta terça-feira (14).

O nível de famílias endividadas é recorde no levantamento iniciado em janeiro de 2010. Em março deste ano, a taxa havia ficado em 66,2% e em abril de 2019, em 62,7%. Essa foi a primeira Peic realizada no país após o início da pandemia do coronavírus. A coleta da dados ocorreu entre 20 de março e 5 de abril deste ano.

Em nota, a CNC associou a alta na proporção de famílias endividadas, que já estava em patamar elevado, à “injeção de liquidez que está em curso”, numa referência às medidas adotadas pelo governo para mitigar os efeitos econômicos da pandemia de covid-19, como a liberação de depósitos compulsórios para os bancos.

“Nesse contexto, vale ressaltar a importância de se viabilizar prazos mais longos para os pagamentos ou alongamentos das dívidas, além da busca por iniciativas mais eficazes para mitigar o risco de crédito. Assim, os consumidores poderão quitar suas contas em dia sem maiores dificuldades, afastando a piora nos indicadores de inadimplência, nos meses à frente”, diz a nota.

Inadimplência

O levantamento mostra, entretanto, que a inadimplência se manteve estável em abril. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso ficou em 25,3% em abril – mesmo percentual registrado em março. Em comparação com igual período de 2019 (23,9%), contudo, houve crescimento.

Já o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes apresentou queda em abril, no comparativo mensal, passou de 10,2% do total, em março de 2020, para 9,9% em abril. Entretanto, o indicador também avançou na comparação anual. Em abril do ano passado estava em 9,5%.

Principais dívidas

O cartão de crédito foi mais uma vez apontado como o principal tipo de dívida, sendo citado por 77,6% seguido por carnês (17,5%) e financiamento de veículos (10,2%).

“A proporção de dívida em cartão diminuiu novamente neste mês, enquanto as dívidas em carnês ganharam espaço na composição do endividamento. Também vêm se destacando o crédito consignado e o cheque especial”, ressalta a economista.

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