Sustentáveis e econômicas: geobags auxiliam no cultivo agrícola no agreste alagoano


Mais agricultores estão sendo beneficiados com a manta doada pela Agreste Saneamento; eles alcançam uma economia de até 40% no consumo de água, além de outros benefícios

 Agricultores de Arapiraca têm experimentado uma economia de até 40% nos custos com irrigação após o início do uso das geobags doadas pela Agreste Saneamento. Desde o início do ano, mais quatro famílias foram beneficiadas, totalizando 12 famílias atendidas pelo projeto Agreste Rural. A expectativa é de que o projeto seja ampliado para outros municípios da região.

O projeto disponibiliza para produtores familiares da região mantas ecológicas utilizadas no tratamento da água. Depois de descartadas pela empresa, elas ganham destino certo nas mãos dos pequenos agricultores. Colocadas nos canteiros das hortas, entre o solo e as plantas, além da economia na irrigação, elas proporcionam redução no uso de herbicidas e no tempo de manejo do solo, entre outros benefícios.

A geobag é uma manta de polipropileno utilizada no tratamento da água. Quando sua funcionalidade na Estação de Tratamento de Água (ETA) se esgota, é cortada, higienizada e doada a produtores rurais. A técnica agrícola é pioneira no estado.

O projeto Agreste Rural funciona em parceria com a Prefeitura Municipal de Arapiraca que faz o cadastro dos produtores, preferencialmente orgânicos, para o recebimento das geobags.

Um dos agricultores beneficiados este ano, João Raimundo dos Santos, trabalha há 28 anos com produção de hortaliças. Ele tem utilizado as mantas em sua cultura e já comemora os resultados.

“Quando não usava as mantas eu irrigava três vezes ao dia, hoje só irrigo uma. A gente tem uma economia de água muito boa. Trabalhamos com produtos orgânicos, são de 25 a 30 tipos de produtos. Já consegui colher depois de usar a manta e está uma coisa linda. A produção melhorou, é real. Dá para perceber que não há perda porque as lagartas não conseguem chegar por conta da proteção”, diz o produtor rural.

Além da doação das geobags, a Agreste Saneamento também faz o acompanhamento dos produtores para o melhor aproveitamento da manta.

De acordo com Mikael Vasconcelos, coordenador técnico operacional da empresa, 100% dos resíduos gerados no processo de tratamento da água, que chega a 400 mil alagoanos, tem destinação sustentável. “Além de levar água de qualidade até as casas das pessoas, trabalhamos com foco na sustentabilidade dos nossos processos, contribuindo não só com o meio ambiente, mas também com a economia local. É um ciclo, e estamos atentos a ele como um todo”, explica.

O engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, Anderson Soares explica que diante da necessidade dos produtores rurais, a iniciativa da Agreste Saneamento foi fundamental. Segundo ele, as mantas têm impacto econômico direto para os produtores, porque não precisam custeá-las e otimizam a produção.

“O agrofilme geralmente é muito fino e onera os custos do agricultor, e dificilmente pode ser reutilizado, já a manta da Agreste, por ser densa, permite que seja reutilizada diversas vezes. Outra grande vantagem é a diminuição da evaporação, porque a manta gera uma barreira, podendo reduzir a temperatura em até 10 graus. A economia de água chega a 40% em média, dependendo da cultura. Ainda tem a economia na energia elétrica para a irrigação, no uso de herbicida e no carpina de mato”, comenta Soares.

A Agreste também criou a “Escola de Campo” onde outros agricultores, escolas, universidades e comunidade em geral podem conhecer o projeto e sua aplicação. Recentemente, o Instituto Federal de Alagoas (Ifal) iniciou uma pesquisa comparativa com o uso das geobags e as técnicas convencionais.

“Temos um agricultor que passou quase um ano na mesma área. Pimentão precisa geralmente de quatro meses de cultivo, também já testamos pepino japonês na manta. Estamos testando agora tomate cereja com produtores orgânicos. Esses produtos abastecem não só Arapiraca, mas o mercado em todo o estado na parte de produção de hortaliças, principalmente orgânicas”, conclui o engenheiro agrônomo.

 PROJETO

O projeto Agreste Rural surgiu em junho de 2018. Em setembro do mesmo ano, os primeiros testes em campo foram iniciados. Após essa fase, a empresa doou os primeiros kits em março de 2019 e sete famílias foram beneficiadas. A entrega mais recente ocorreu no fim de março deste ano beneficiando mais quatro famílias.

Além dos excelentes resultados entre os produtores rurais de Arapiraca, o projeto Agreste Rural obteve reconhecimento nacional no ano passado no 3º Seminário de Inovação e Boas Práticas do Grupo Iguá pela inovação e alcance da ação.

Com matéria da Assessoria