Annita: sem comprovação científica, CRF/AL alerta para o risco da automedicação


O dia 5 deste mês foi instituto como o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos; 5 de Maio. Este ano, o Conselho Regional de Farmácia de Alagoas faz um alerta especial quanto a automedicação com fármacos que têm sido apontados no tratamento do Covid-19 e que tem levado a população adquirir estes medicamentos sem qualquer orientação.

A farmacêutica e membro do grupo de trabalho de ensino e pesquisa do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas, Jéssica Costa (foto acima) fala sobre a nitazoxanida, conhecida como Annita, cujos testes estão sendo realizados. De acordo com ela, este é um medicamento usado para tratamento de gastroenterites virais provocadas por rotavírus ou norovírus, helmintíases, amebíase, giardíase, criptosporidíase, blastocistose, balantidíase e isosporíase.

“Assim como a ivermectina que também se enquadra como anti-helmíntico, eles estão sendo estudados e acrescentados aos protocolos de possível tratamento ao Codiv -19. Contudo, ainda não existem comprovações cientificas sob sua eficácia no tratamento, portanto não é recomendado a automedicação”, informou.

A farmacêutica relembra que ao ser anunciado que o medicamento estava sendo testado muitas pessoas foram as farmácias e drogarias adquirir o produto e como qualquer outro medicamento ela apresenta efeitos colaterais. “Ele pode parecer um medicamento inofensivo, mas ele é contraindicado para crianças com menos de 1 ano, pacientes com diabetes, doenças no fígado ou rins e para pacientes com alergia à Nitazoxanida ou a algum dos componentes da fórmula”, pontuou.

De acordo com ela, o uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, ou mesmo esconder determinados sintomas. Além disso, a automedicação pode trazer, ainda, consequências como: reações alérgicas, dependência e até a morte. “Entre os riscos mais frequentes para a saúde daqueles que estão habituados a se automedicar estão o perigo de intoxicação e resistência aos medicamentos. Todo medicamento possui riscos que são os efeitos colaterais”, alertou.

Jéssica informa que segundo o Ministério da Saúde, uma das principais causas da automedicação é a variedade de produtos fabricados pela indústria farmacêutica, a facilidade de comercialização deles e a própria cultura e comodidade assimilada pela sociedade que vê na farmácia um local onde se vende de tudo. “A grande variedade de informações médicas disponíveis, sobretudo em sites, blogs e redes sociais, também está entre os fatores que contribuem para a automedicação”, lamentou.

A orientação da farmacêutica é que neste momento que estamos vivendo, o melhor é se resguardar e seguir as normas da Organização Mundial de Saúde, como ficar em casa e fazer a higienização de forma adequada. “O farmacêutico, assim como tantos outros profissionais da saúde, estão na linha de frente contra o Covid-19. Somos contra qualquer tipo de automedicação e estamos prontos para sanar suas dúvidas e auxiliar em qualquer eventualidade sobre seu tratamento”, garantiu.

Prescrição Médica

Desde o dia 15 de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclui este medicamento na lista de substâncias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e outras sob controle especial, com isso, a venda do medicamento Annita também fica sujeita à retenção da receita de controle especial em duas vias, sendo a 1ª via retida no estabelecimento farmacêutico e a 2ª via devolvida ao paciente.

No cenário atual do tratamento para covid-19, se enquadra a inclusão de antibiótico aos protocolos prescritos. Porém, vale salientar que de acordo com o artigo 7º da RDC 20/2011, “a receita poderá conter a prescrição de outras categorias de medicamentos desde que não sejam sujeitos a controle especial”.

Prescrição de antimicrobianos e medicamentos contendo substâncias controladas pela Portaria SVS/MS nº 344/98 na mesma receita, como se enquadra o Annita, impossibilita a compra de ambos, dando possibilidade de dispensação apenas do medicamento controlado.

Logo, faz-se necessário que sejam prescritos em receituários distintos, evitando assim a impossibilidade de dispensação e atraso no tratamento necessário para o paciente.

 

Luciana Martins
Assessoria de Imprensa