Instituto Vozes Quilombolas pede donativos para comunidade de Santa Luzia do Norte

O presidente do Instituto Vozes Quilombolas, professor José Bezerra da Silva faz um apelo à população alagoana para arrecadar donativos à comunidade quilombola de Santa Luzia do Norte/AL. O município fica a 24 km de Maceió, e está em segundo lugar no ranking do corona vírus, conforme estatística da Secretaria de Saúde do Estado. Segundo ele, que é pesquisador da história dos quilombolas de Alagoas, a incidência da doença no município certamente tem relação direta com a dificuldade de manter as pessoas em isolamento.

“Os quilombolas precisam circular no espaço urbano para vender o que produzem. É assim que geram o sustento de suas famílias. É duro um pai ficar preso em casa vendo os filhos sem mantimentos. São cidadãos, integram as minorias étnicas para as quais inexistem políticas públicas. Ganham a vida como ambulantes, vendendo o que cultivam, como mandioca, por exemplo, e seus derivados: farinha, goma, massa para cuscuz, variedade de bolos tradicionais, tapioca e outras guloseimas culturalmente comercializados em feiras e pelas ruas, muitas vezes até de porta em porta. Agora, como estão proibidos de saírem de casa, estão em flagelo. Os que se aventuram e vão trabalhar, além de se colocarem em risco de contaminação, não encontram consumidores suficientes”, lembra José Bezerra, apelando para a sociedade abraçar essa causa.

Entre os quilombolas de Santa Luzia há quem superou as adversidades sociais, chegou ao curso superior, foi aprovado em concurso, tem emprego efetivo, mas são exceções. Boa parte não tem sequer CPF, e ficou fora do auxílio emergencial do governo. É um grupo tão esquecido pelo poder público que não consta quantos são, ao todo, na estatística oficial do IBGE. “Não sabemos, oficialmente, o número de quilombolas, mas eles existem. São centenas precisando de ajuda, e os que habitam Santa Luzia do Norte estão mais expostos ao perigo da COVID-19 devido o alto número de casos positivados na cidade,” lamenta o professor, frisando que eles têm alto potencial de inteligência, mas padecem da falta de assistência.

Serviço: Para ajudar entre em contato com o Professor José Bezerra, presidente do Instituto Vozes Quilombolas (99601-1854).

 

Comentários