Jornalista retrata histórico de seu pai que nesta sexta-feira estaria fazendo um século de vida em Chã Preta/AL


Companheiro jornalista José Ari de Vasconcelos nos enviou um artigo para ser publicado nesse Blog, tratando da trajetória de vida de seu saudoso pai, Mauro Teixeira. Diz que foi um bravo cidadão que fez de Chã Preta/AL seu grande marco de vida, sobretudo destacando o papel de um homem eclético, cujo histórico  é coisa de fazer inveja a qualquer um.  Acompanhe  na integra o texto abaixo:

Por José Ari Vasconcelos

Todos já tinham o milho despigado, fogueira pronta, bombas no ponto. Era 12 de junho de 1920, Festa de Santo Antônio. O fazendeiro e advogado Dr. Chico Teixeira, em seu próspero Engenho Serraria do Bom Sucesso tinha motivos maiores para festejar aquela data: nascia mais um filho de seu casamento com Maria Marinita de Vasconcelos. Deram-lhe o nome de Mauro.

Cresceu em meio aos engenhos e plantações da sua Chã Preta e cidades de Pernambuco onde seu pai foi Promotor de Justiça até 1925, quando retornou à Serraria. Fez o ginásio em Garanhuns/PE – 1935-1939 e científico de Engenharia no Recife/PE – 1940-1942. Participou de Tiro de Guerra, fundação da CNEC ao lado dos colegas, primo Florêncio Teixeira, Felipe Thiago Gomes e Joel Pontes e Movimento da Juventude Católica. Depois retornou à Serraria, na Chã Preta.

Mauro Teixeira um centenário que entra para história de Chã Preta

Em 15-02-1945 foi nomeado 1º Tabeliao Oficial do Registro Civil do 3º Distrito de Chã Preta-Comarca de Viçosa/AL e ao lado do tio Aureliano Teixeira-Sub-Delegado dividem o mesmo prédio na Vila de Chã Preta: Cartório e Sub-Delegacia.

Dedicado em seu trabalho Mauro Teixeira foi mais que um escrivão que fez história nos anais da justiça alagoana, além de solucionador de casos jurisdicionais em seu território ajudando seus conterrâneos em vários encaminhamentos judiciais. Também surgiu daí o Mauro escritor, pesquisador, pois se tornou genealogista e historiador da região. Pedro Teixeira afirmou: “Mauro Teixeira é um autêntico pesquisador; conhecedor profundo da história de Chã-Preta!”

Frequentador e fundador de grupos culturais desde a Serraria e Bom Sucesso, dançou, brincou e ainda era destacado corredor de Cavalhada. Foi nos forrós e terços na Medina de seus tios Aureliano Teixeira e Alzina Rebêlo também pais do folclorista Pedro Teixeira, que desposou sua prima e professora Maria Frutuosa de Vasconcelos,  com quem se casou em 26-06-1948 indo residir no Engenho Vera Cruz, cuja Casa-Grande construiu e até 1952 em uma das salas Frutuosa mantinha escola pública quando ergue um prédio próprio com apoio de Dr. Chico Teixeira e o engenho a vapor-1953.

Fundou e manteve grupos de guerreiro, coco, emboladores, toadeiros sendo o engenho e a varanda da Casa Grande um celeiro cultural.

Aos 16-setembro-1951 é fundado o Ipiranga Club de Chã-Preta, uma ideia de Mauro Teixeira abraçada e compartilhada pelos irmãos Clóvis e Severino e seu pai Dr. Chico sendo um marco de desenvolvimento que incentivava os esportes, folguedos, bailes e reivindicava: Escolas, Saúde e Estradas.

“Dr. Chico, progressista, sem se perder nas renovadas gerações” dizia velho Teotônio Vilela colaborou na instalação de muitos engenhos de rapadura. Fez sociedades agrícolas. Traçou a estrada a Correntes/PE. Possuía na Serraria uma hidrelétrica que fornecia energia também à Vila de Chã Preta, mas precisava de mais potência. Com Mauro, mestre Moacir Correia e Clóvis descem o rio Paraibinha. Em 1953 foi inaugurada a Hidrelétrica da Vera Cruz, levando energia à Vila de Chã-Preta até 1968, sendo Mauro Teixeira o gerente.

 

Mauro Teixeira  colaborou na política de Chã Preta, da Emancipação Política, da manutenção de partidos e sendo secretário em governos municipais onde elaborou e praticou projetos de modernização, infraestrutura, assistência médica e educacional, associativismo comunitário e turismo rural histórico quando implantou a Missa da Serra e a reserva Permanente da Vera Cruz, a segunda em Alagoas..

Escritor deixou inúmeros trabalhos sobre a história de Chã Preta, famílias, engenhos, igrejas, Beato Franciscano, Padre Dimas, Cavalhada, entre outros, tornando-se com Severino e Pedro Teixeira literatos de escol.