Russos fabricantes da vacina Sputnik V ameaçam processar Anvisa


Na segunda-feira, agência reguladora brasileira rejeitou importação do imunizante alegando diversos problemas

R7 Notícias

Vacina russa apresentou inconsistências na análise de técnicos da Anvisa

Vacina russa apresentou inconsistências na análise de técnicos da Anvisa

MAXIM SHIPENKOV/EFE/EPA – 05.12..2020

Os desenvolvedores da vacina russa Sputnik V ameaçaram nesta quinta-feira (29) processar por difamação a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que se recusou a aprovar o fármaco e alegou que a vacina continha uma versão ativa de um vírus.

“A Sputnik V está iniciando um processo judicial de difamação no Brasil contra a Anvisa por espalhar informações falsas e imprecisas intencionalmente”, anunciaram no Twitter os desenvolvedores da vacina russa.

“A Anvisa fez declarações incorretas e enganosas sem ter testado a vacina Sputnik V real”, completaram, alertando a agência reguladora brasileira que “nossa equipe jurídica entrará em contato”.

A equipe da Sputnik V citou declarações de Gustavo Mendes, funcionário da Anvisa que alegou que a agência brasileira “não recebeu amostras da vacina para testar [e] não testou”.

A conta da Sputnik V, entretanto, não apresenta uma fonte para essas declarações.

A agência brasileira se opôs na segunda-feira aos pedidos de vários estados do país para importar a Sputnik V, por considerar que faltam dados para garantir sua segurança e eficácia.

A direção da agência seguiu a recomendação de seus especialistas, que observaram “incertezas” sobre a vacina, que ainda não foi aprovada pelos órgãos de saúde da União Europeia (EMA) e dos Estados Unidos (FDA).

Em apresentação online, os especialistas da Anvisa relataram que testes de amostras da segunda dose da Sputnik V revelaram que o adenovírus era “capaz de se replicar”, portanto ainda era capaz de multiplicar-se quando injetado no corpo.

Eles consideraram que a situação provavelmente se devia a um defeito de fabricação denominado “recombinação”, durante o qual o adenovírus modificado readquiria os genes necessários para sua replicação quando cultivado em laboratório em células humanas artificiais.

Eles indicaram que haviam testado apenas a segunda dose da vacina.

Os desenvolvedores da vacina russa denunciaram uma decisão “de natureza política”.